BEM-VINDO(A) AO BLOG DE JESSICA NEVES *





(ÉS O MEU) LIVRO ABERTO

Desfolho-te como seda
Coberta de lantejoulas
Afasto a cortina lentamente
Pedaço a pedaço
Que bom é ler-te
Entre o jardim banhado em mel
E a cascata desnudada
No horizonte da tua sombra
Aragem perfumada de canela
Com pitada de pimenta
Ler-te é cegamente
Aquilo que me alimenta
Nas entranhas do meu ser.

25.09.2011











Aprecie as pequenas coisas da vida. São as mais belas e as mais intensas. Lembre-se que essas são as melhores.

sábado, 28 de setembro de 2013

VENTOS
















Descem persianas
Gotejam lamentos
Sussurros amarrados
Às pontas dos ventos
Uma luva que cai
Numa cirurgia acelerada
A máscara que s’esvai
C’a verdade esbofeteada
Um homem com sede
Suplicando guarida
Um coração sem rede
Ferindo a carne despida
Um olhar com pressa
De alcançar a vida
Um passo que cessa
A meio da investida
Uma carícia estendida
A uma alma de luto
A promessa cumprida
Gera árvore de fruto
O sorriso roubado
No seio dum beijo
Traz fel anunciado
Ruptura que prevejo.

28.09.13

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O GALO

Arte de Mario Miranda Escultor



Abrem-se portas
E o galo baila cantarolando
Todo emperiquitado
Na passadeira vermelha
Deslumbra-se
E enlouquece…

Abrem(-se) portas
À vizinha galinha
E o galo desdenha
Invejando com mesquinhice
Dá bicadas de frustração
Em plena capoeira…

Abrem-se portas
E o galo cospe p’ro lado
Mija-lhes em cima
E o odor fede
Terrivelmente
A filarmónica passa
E o galo chora

Fecham-se portas
Desumanamente.

16.09.13

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

ACASOS - DUETO TERESA TEIXEIRA E JESSICA NEVES




Todas as manhãs são inocentes
Enquanto as gaivotas não temerem
O fio cortante dos ocasos.

Todos os meninos são acasos
Enquanto na vida lhes fizerem
Sentir que são culpas de sementes.

Todas as flores serão carentes
Enquanto os homens não entenderem
A inocência vã do seu perfume.

Todos os rostos são (de) lume
Enquanto os traços se perderem
No fogo dos indiferentes.


Todos os caminhos serão estéreis
Se não partir do tronco frágil
O ramo onde pousarão os pássaros.



Todos os animais serão ácaros
Enquanto saírem do covil
Com ilustre barriga de reis.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

MOLDURA






Cálidas folhas d’outono
Empoleiram-se no meu dorso
Como hábeis mãos que massajam
Pequenas mazelas
Que o inverno teima em não adormecer…


Quisera eu
Que se apoderasse
O beijo do sol em noites ao relento
A brisa suave no rosto ao amanhecer
E pela tardinha o toque do calor ávido
Emaranhado por todo o corpo…



Quisera eu
Agarrar todas as cores
E pincelar ao de leve
O meu sonho…



Quisera eu
A libertação das palavras
E a fortaleza cantada dos gestos
Moldura que conduz
Ao ventre da eternidade.



18.09.13

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

SEM CÉU NEM VÉU






Desmaia pelos recantos

Um ardor perfumado



O cenário é composto por 
Fotografias a preto e branco
Que se mexem da direita 
Para a esquerda
De cima para baixo
Sorrisos rasgados a meio
Migalhas 
Apêndices nossos
Sem céu
Nem véu…

Estanco
Engelhada

Peço um olhar emprestado
E de viagem marcada
Sigo apressadamente 
Para lugar nenhum
Sem ninguém dar conta 
Entre o grito da multidão
Que passa.


17.09.13

sábado, 14 de setembro de 2013

A TI, QUERIDO PAI (*)




   Pai,
  As memórias são intensas e estão impressas na alma como um papel nunca rasurado. Recordo com carinho especialmente, a cumplicidade das nossas brincadeiras e conversas e as histórias perfeitas, antes do voo para o mundo dos sonhos. Oh… como era mais leve o meu despertar!…
  Lembro-me de uma vez que me marcou particularmente, no dia do meu aniversário, em que chegaste mais cedo do trabalho só para estares comigo mais tempo, naquele que era um dia meu e também, teu. Contaste-me que, com a pressa de me trazeres o presente e estares a horas para (o) jantar, até ias atropelando uma senhora pelo caminho. Desmanchámo-nos numa gargalhada sem fim, não por atropelares a senhora mas, porque tivemos o mesmo pensamento: tudo o que nós amamos, leva-nos a cometer “loucuras” saudáveis!
  A verdade é que hoje não estás!… Partiste por uma mera desavença quando, uma conversa à antiga, podia resolver as coisas.
  Procuro-te tantas vezes, sem resposta. Sabes pai… Queria combater esta ferida, tocar ao de leve teu rosto, sentir-te perto de mim e ouvir cada ensinamento. Queria que me ensinasses a beber da vida, o saboroso mosto proporcionado por cada momento feliz, eternizado a teu lado. Nunca te quis passado acordado nesta ferida aberta, que mata e desconcerta todos os meus sonhos – desacreditados.
  Queria apenas, o teu toque inesperado acalmando as noites frias, enfim, ter-te do meu lado, fazendo de ti a estrela de todos os (meus) dias.
  Pai, na impossibilidade de te ter, escrevo-te. Ainda hoje te tenho como um verso mudo. Vem!... Espero-te. És tudo!


(*) Ressalto que este texto - escrito há tempos - é fictício visto que felizmente, tenho uma ótima relação com o meu pai :) *

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

REFÚGIO DE SONHOS




Em desalinho, o pensamento


É o refúgio 

De múltiplos sonhos e emoções 


Presentes no âmago… 


As palavras não bastam

Para traduzir as sensações

…Só o silêncio 

É dono das “perturbações”

Infinitas que assolam a mente


Aí o olhar da alma não fica indiferente.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

LABIRINTO LIBIDINOSO






Anoiteceu


Pernoitou nos seus cabelos

Desceu pelo rosto
Com a boca (es)corrida
Nos lábios
Poisou os seus 
De voz rouca murmurou ao ouvido
Trincou-lhe a orelha
Passeou o nariz pelo pescoço
Mordiscando-o ao de leve
Soltou-lhe as vestes aquando os seios
Acordou-os com a gula da sua boca
Escorre(go)u as mãos audazes
Nu(m) assalto pernas acima
Rodopiou pelas ancas
Sentiu o calor das suas nádegas
Tocou-lhe a intimidade
E deixou que a língua fizesse o seu trajeto libidinoso…



Ferveu e quis 

Possui-la por inteiro…



Ela consentiu 

Com o olhar faminto
Qual fera com o cio
Desabotoou-o à pressa
Puxou-o contra si
Cravou-lhe as unhas nas costas
E incendiou (ainda mais) os lençóis…



Possuíram-se

Entre rudes e ternas carícias 
Adivinharam-se fluxos



Vezes sem conta 

Morreram e renasceram sempre
Ao mesmo tempo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

QUIMERA


















É o mapa amolgado do tempo
Que me rouba o céu
E o algodão doce dos sonhos…

É vago todo o olhar
Gotejando amargamente
No berço de um sorriso fraco
Num desejo que podia ser presente
E é só passado…

Tragam o verde dos campos
E pendurem o sol nos meus olhos
A promessa que deixo
Veste-se de eternas tentativas
Ainda que o vento sopre
Contra os meus pés…

As minhas mãos são o caminho
Cimentado de versos d’esperança
Quiçá um dia
A passadeira vermelha do céu se estenda
E os sonhos estejam à curta distância
Da palma da mão revestida de estrelas…

Talvez haja um sorriso
Empoleirado num poema
Ainda por desvendar…

Talvez o destino
Faça de mim só promessa
E eu seja apenas quimera
Para sempre…

Talvez!…

20-04-13

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DOLOROSO ENLACE









Enlaça-me a dor por dentro
Enquanto calco as paredes da alma

Só a tua voz amena do momento

Penetra em mim e me acalma…



Oh! Agreste tempestade 

Que não fere só os olhos
Nem sequer tenho vontade
De colher rosas aos molhos!

…Amor é dor; dor é amor 
Caminham de mãos dadas
Realidades entrelaçadas
Como a tela é do pintor! 

(Enlace que é enlace
Não é só feito 
De sorrisos na face
É erróneo pensar desse jeito!
Tem de doer e rasgar o peito!)

É doloroso todo o enlace!
…Procuro que o tempo 
Faça de ti só momento
E a teu lado, não passe!

27.03.13


REFÚGIO E LIBERTAÇÃO ANGELICAL(MENTE)






  Todas as noites contemplava Angelica. Nunca me atrevi a perguntar-lhe o nome mas, batizei-a assim, pelo seu ar angelical.
  Seus cabelos soltos eram fios doirados, genuínas barbas de milho e os olhos de amêndoa tão doce transportavam-na para o algodão das nuvens que, tocava com as suas mãos delicadas. Pisava o céu como se fosse seu, suave e livremente. Adivinhava-lhe o largo sorriso pelo rosto aceso ao compasso da lua. Possuía uma silhueta perfeita com contornos bem delineados.
  Não a invejava, pelo contrário, admirava-a! Fascinava-me o seu ar descontraído com pitada de sensualidade e ousadia.
  Angelica debruçava-se sobre a janela do quarto e folheava um livro de poesia até à chegada da lua. Despudorada, bebia uns goles de vinho tinto, rodopiava entre os degraus da solidão e subia até ao paraíso. Aos poucos, desabotoava a seda que a cobria e renascia, como se fosse alma e coração ao mesmo tempo. Como se o tempo veloz parasse e não fosse mais tempo. O vento só lhe soprava os cabelos, os sonhos permaneciam no mesmo lugar. Era ali, em plena noite, que queria realizá-los.
Abraçava com ternura, as ruas e os laços numa dança contagiante. Meu corpo sorria e também balançava…
  Eu encontrava-me no seu horizonte mas, de tão entretida que estava ela nem sequer dava por mim.
  Todas as noites, éramos retalhos de vida angelical(mente), refúgio e libertação.


domingo, 1 de setembro de 2013

LEITO








É na passagem para o teu leito
Que ponho de lado as mágoas

Vou, consumida pelo teu jeito

Deslizando sobre tuas águas…

Que me adormecem 
Sem querer
Que me engrandecem
Sem temer…

Que me afagam
A pele
Que me desvendam
O mel…

É na passagem para o teu leito
Que arrisco ser mais e melhor
Porque o que diz o teu peito
Mais nenhum me diz, Amor!


09.04.2013
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