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(ÉS O MEU) LIVRO ABERTO

Desfolho-te como seda
Coberta de lantejoulas
Afasto a cortina lentamente
Pedaço a pedaço
Que bom é ler-te
Entre o jardim banhado em mel
E a cascata desnudada
No horizonte da tua sombra
Aragem perfumada de canela
Com pitada de pimenta
Ler-te é cegamente
Aquilo que me alimenta
Nas entranhas do meu ser.

25.09.2011











Aprecie as pequenas coisas da vida. São as mais belas e as mais intensas. Lembre-se que essas são as melhores.

domingo, 11 de dezembro de 2011

CONFLITO (M)EU

VIla Real - Palácio de Mateus, Dezembro 2011

Redijo tremelicando das mãos.
Em plena reza, o melancólico inverno finta o verão apoderando-se gélido.
O rosto encolhido tenta sair da toca, mas força maior mantém-no quieto, gelado pelas amarguras do tempo.
Assusta-me o medo. Tenho medo de mim.
Evito o contato com o espelho para não ter dissabores.
No entanto, procuro-me. Procuro-me sem saber onde. Procuro-me entre a porta rangendo sem fôlego para abrir. Procuro-me na melodia amena descoberta pelas ondas do mar que o vento endiabrado teima em me negar impedindo-me de a atingir. PROCURO-ME.
Minh’alma é montanha russa, balança sem ponto de equilíbrio.
Na minha face a flor insiste em não desabrochar.
Há muito que rasurei a palavra “eu” do meu diário, apenas porque a achei tão insignificante que deixei de a escrever. Simplesmente esqueci a sua utilidade, a sua existência.
Confesso que nem sei se algum dia existiu.
Abate-se a escuridão à luz do dia. Meus olhos descem que nem persianas combatendo a claridade. Afogo-me ao colo da noite contemplando míseras gotas ácidas caídas do céu.
Dizem ser chuva, mas nem sei.
Oh, pudesse o sol abancar no meu olhar! Pudesse a tela colorida receber-me de braços abertos caminhava de imediato ao seu encontro!
Um dia, prometo que vou tentar! Aliás, vou conseguir! Mesmo que a passos envergonhados, caminharei. Driblarei as adversidades remando ao expoente máximo do prazer.
Enquanto esse dia não chega, cerco-me amassando papelinhos soletrando “e-u” a par de “m-e-d-o”.
Meu corpo é uma agulha chicoteada de alto a baixo.
Nas bordas do meu desencanto só o rio sabe dos meus lamentos.
Meu rosto desencorajado deita-se ao comprido nesse rio banhado nas mesmas águas em seu redor poluídas.
Tudo o que me vem à lembrança é um cortejo fúnebre.
Enquanto eu continuar a afirmar “NÃO” à vida, a equação permanece sem resolução.

11.12.11

PEDRO ABRUNHOSA – QUEM ME LEVA OS MEUS FANTASMAS
http://www.youtube.com/watch?v=sqK7Ys155j4&feature=related

PEDRO ABRUNHOSA – EU NÃO SEI QUEM TE PERDEU
http://www.youtube.com/watch?v=T1Q6WPhsSug
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